Então e porquê Crónicas da Barriga? Porque era o nome do blog que queria ter escrito durante a gravidez. Ainda vou a tempo? Não, a miúda tinha quase 4 meses quando o blog começou. E então? Então, nada!
6.1.12

Ontem à noite, pus o meu chapéu de fada do lar e sentei-me no sofá com um livro de receitas da Bimby, escolhendo menus e fazendo a respectiva lista de compras.

"Eu quero ajudar. O que é que eu posso fazer, mãe?".
"Podes ver os alimentos que estão na fotografia e dizer-me o que é que temos que comprar.".
Ela ficou a olhar para o chili de vegetais e disse feijão.
"Boa! E mais?".
Ela olhava, mas não lhe saía nada.
"O que são estas coisas amarelas pequeninas [milho]?".
Silêncio.
"Mi...?"
 "...cóbios!" diz ela triunfante.


19.12.11

Cenário: cama supostamente de casal, por volta das seis da manhã

Personagens: mãe semi-adormecida, bebé de quinze meses em processo de readormecimento, mas com o tique chato de puxar os cabelos que estejam à mão de semear, criança de três anos supostamente a dormir (ausente: pai inteligente que se pirou para o sofá da sala)

 

O P. puxa o cabelo da M., não com força, mas repetidamente; ela vai tirando de forma delicada a mão ele, delicadez essa que se vai tornando mais firme, até que, ao fim de uns bons cinco minutos, a luz de presença me permite ver um dedo em riste junto à cara do P. e ouço: "É a última vez que me puxas o cabelo!".


20.11.11

M., ouvindo no carro uma música da Cuca Roseta: "Ó mãe, o que é "fatal"?

Por R, às 23:13  comentar

M. para a minha mãe, vendo uma fotografia minha grávida do P.: "Ó avó, mas como é que os médicos puseram o P. dentro da barriga da mãe?"

Por R, às 22:23  comentar

24.10.11

À noite no sofá:

-"Olha... aquilo ali no tapete é um kiwi?

 

Também há batatas (cruas, mas mordidas) na banheira e cascas de cebola em locais variados. Deve ser genético.

Por R, às 22:57  comentar

17.10.11

Ontem, antes do banho.
Eu: Quem é que riscou a parede, M.?
M: Não fui eu.
Eu: Então, quem terá sido?
M: Não xei.
Eu: Bem, eu não fui, o pai também não e o P. ainda não sabe riscar com o lápis. Só pode ter sido a A. (empregada).
M (com cara comprometida): Não foi a A.
Eu: Como é que sabes?
M: Por que ela hoje não esteve cá.
Eu: Mas pode ter riscado na sexta-feira. Vou falar com ela, é que só pode mesmo ter sido ela.
M: Ó mãe, não foi a A. Eu xei que não foi a A.
Já depois do jantar:
Eu (para o meu marido à frente da M.: Amanhã, vou perguntar à A. se foi ela que riscou a parede. É que a M. diz que não foi, por isso só pode ter sido ela.
M: Ó pai, tu tavas cá quando eu risquei a parede?


12.9.11

De repente, há uma parte (grande, enorme, gigantesca) da tua vida à qual tenho acesso apenas de forma intermitente. O que é que fizeste hoje? Comeste a maçã com ou sem casca? Como é que se chama o menino que se sentou ao teu lado no refeitório? Com que cor é que pintaste a tua capa dos desenhos? Dormiste de chucha?

 

Mordo o lábio para evitar o interrogatório e faço-te perguntas discretas, dando-te espaço para contares o que queres ou simplesmente não contar nada e tentar perceber nas entrelinhas o que quero mesmo perceber: gostas da escola?

 

 

Por R, às 11:46  comentar

19.8.11

"sermos um pouco mais nós próprios, mais naturais, estarmos mais disponíveis e mais descontraídos, seguros da nossa liberdade e árduos na defesa das nossas convicções, sem andar a querer provar, em todos os momentos, que somos perfeitos ou que nunca nos enganamos. A imaturidade não está em cometer erros, está em não se saber reconhecê-los e não aprender com eles."

 

Por que será que os especialistas têm que dizer tantas vezes para sermos mais confiantes como pais? Será que num mundo de cursos pré e pós, workshops, blogs, baby coaching, livros, nos esquecemos de que, mesmo quem nunca chegou perto de uma criança na vida, vai sempre saber pegar no seu bebé melhor que qualquer outra pessoa?

 

Por R, às 12:49  comentar

16.8.11

Os meus, então, fazem tudo para a mãe não ficar deprimida com o regresso ao trabalho: passados 17 dias, 24 horas por dia, estar um dia inteiro sem ter de dizer "não mexas aí", "come só mais uma" ou "sai do Sol" faz com que o escritório pareça quase o paraíso.

Por R, às 17:28  comentar

26.7.11

Balanço da minha cama à 1.30h da manhã: dois adultos podres de sono, uma criança de três anos que repetia que não queria dormir mais e se podia ir tomar o pequeno-almoço, um bebé de dez meses a fazer exercícios de senta e levanta apoiado nas pernas que lhe surgissem à frente e um dinossauro de peluche.

 

A troika iniciou conversações para decidir quem dormia onde e acabou por chegar a consenso perto das 2h, tendo os visados cedido a contragosto ao programa de austeridade que lhes foi imposto.

 

Já referi que o dinossauro tem um guizo lá dentro?



Sobre a M.
Nascida a 4 de Julho de 2008, com 3,880 kg, 50 cm e as maiores bochechas do mundo.
Sobre o P.
Chegou a 24 de Setembro de 2010, com 3,380 kg, 48 cm e os olhos mais doces do mundo.
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