Então e porquê Crónicas da Barriga? Porque era o nome do blog que queria ter escrito durante a gravidez. Ainda vou a tempo? Não, a miúda tinha quase 4 meses quando o blog começou. E então? Então, nada!
10.11.08

9.56h e a empregada (que entra às 8.30h) não chegou e não atende o telefone...


9.11.08

Na sexta-feira, fomos com a M. ao pediatra. Entre a conversa da praxe, dois comentários do médico são dignos de registo para memória futura:

  • "Já vi que ela gosta das coisas à maneira dela." (isto promete)
  • "Ela já denota aquilo que se chama reacção ao estranho." *

Nem de propósito, ontem foi dia de passeio com a família e a M. estava virada do avesso: correu quase toda gente com caretas e ataques de choro, só queria a mãe e o pai e ai de quem tentasse meter-se no meio.

 

*"It is common knowledge that at the age of seven or eight months, babies quite regularly show marked reactions when they see strangers. The time of onset of this phenomenon varies, as do the duration and intensity of the reaction.

 The reaction of such babies upon rather suddenly perceiving a stranger is characterized by intense distress. This is the affect we can truly observe. The assumption is usually made that the baby is suffering from acute anxiety. We seem to forget that distress need not always or only be an expression of anxiety per se. Let us first limit ourselves to what we can observe: the baby cries, turns its head away, and does not want to see. (Spitz has described this reaction and the way to overcome it.) The assumption has always been made that the distress the baby expresses is due solely to a feeling of acute anxiety."

The Infant's First Reaction to Strangers: Distress or Anxiety?, Anny Katan

 

Por R, às 22:14  comentar

6.11.08
Aquela história da insónia... frescura de quem podia dormir a manhã toda.
Por R, às 22:18  comentar

Daqui a duas semanas, tenho que ir a Genève em trabalho. Para além de ter que lhe dar mama, estava fora de causa ficar dois dias sem a M. assim tão pequena, por isso, decidimos ir todos.

 

Na semana passada, lembrámo-nos que a miúda precisava de bilhete de identidade e saímos em excursão para a Loja do Cidadão.

 

Primeira surpresa: diz que já não há bilhete de identidade! O famoso cartão do cidadão que vem substituir tudo e mais um par de botas já chegou e está com recordes de bilheteira. Eram 15.00h e já não havia senhas de atendimento.

 

Fizémos uso do nosso direito de atendimento prioritário e chegámos ao balcão: impressões digitais e medições não se fazem a bebés tão pequenos, fotografia tem que ser no fotógrafo (a M. sentada na ponta do meu joelho e o fotógrafo a disparar dezenas de flashes até conseguir apanhá-la a olhar para a frente), assinatura não há... enfim, não se sabe muito bem o que é que ela foi lá fazer.

 

Mas como o dito cartão demora tempo indeterminado a ser emitido, tivémos que ir fazer um bilhete de identidade provisório, justificado pela viagem.

 

Nova investida hoje: fila interminável, lá passámos à frente com a M. e estava tudo a correr bem até que a funcionária pede o dedo da M. para tirar impressões digitais.

 

Quem conhece o J., sabe que ele é o verdadeiro pai galinha e por isso:

  • Impressões digitais? Com tinta? Para quê? - pergunta ele.
  • Tem que se tirar... - tentou ela responder.
  • Mas isso não faz sentido nenhum, tirar impressões digitais a um bebé tão pequeno. - continuou ele.
  • A impressão digital não muda. - respondeu ela.
  • Sim, mas a tinta é tóxica e a bebé mete as mãos na boca.
  • Bem, o pai fica a preencher estes papéis e a mãe ajuda aqui a tirar a impressão digital - despachou ela.

A M. lá pôs o dedo na tinta e a funcionária iniciou a tarefa ingrata de tentar controlar a mão e o dedo dela. O melhor que conseguiu foi mesmo uma mancha meio esborratada na pontinha da folha. A miúda é mesmo filha do pai.


4.11.08

Há quatro meses atrás, a esta hora, estávamos no hospital, eu ligada ao CTG, ele ao meu lado, ambos a confirmar que, sem ajuda, a miúda não se decidia a vir.

 

Entrei no bloco operatório pelo meu pé e a médica anestesista espanhola começou a fazer o seu trabalho, falando sem parar sobre tudo e nada.

 

Deitei-me, deixei de sentir as pernas e comecei a ouvir a voz dos médicos na sala ao lado. Entraram os dois, depois o pediatra e finalmente o futuro pai, de fato descartável azul, qual Dr. McDreamy (mas muito mais sexy).

 

Não sei bem quanto tempo passou, mas às 16.25h, a M. saiu da minha barriga, eu vi o reflexo dela espelhado no projector de luz por cima de mim, ouvi-a chorar e chorei também.

 

Depois, aqueles instantes de confusão: o pai a disparar flashes, o pediatra a fazer medições e afins e a dizer "Isto vai dar muita despesa", os médicos a acabarem, já em amena cavaqueira sobre as férias que se aproximavam e eu a soluçar que nem uma madalena.

 

Ela chegou ao pé de mim ao colo do pai, encostei a minha cara à dela e percebi que agora era a valer.


Acabo de chegar da minha ida a casa à hora do almoço. Quando lá cheguei, a M. estava ao colo da T., meio a dormir, meio a soluçar. Estremeu quando me viu e assim que veio para o meu colo escondeu a cara no meu peito e suspirou.

Por R, às 14:46  comentar

3.11.08

Uma das palavras que os pais de bebés mais ouvem dos outros é "coitadinho/a". O bebé chora, é certo e sabido que alguém dirá logo "coitadinho".

 

Quando a M. chora, não é diferente: "coitadinha, tem cólicas", "coitadinha, ela não está bem", "coitadinha, tem alguma coisa"...

 

Felizmente, a maior parte das vezes a M. está pura e simplesmente aborrecida, mas vá-se lá convencer as pessoas disto.


Na sala do chefe, diálogo em estrangeiro, mas aqui traduzido para benefício das massas:

  •  Não sabia que já cá estavas, achava que só vinhas para a semana. - diz ele.
  •  Vim hoje, mas fui almoçar a casa. - disse eu, enquanto pensava que, assim sendo, mais valia ter ficado mesmo.
  •  Claro, é compreensível. - disse ele com o ar condescendente de quem já tem dois filhos adolescentes e vem de um país sem licença de maternidade paga a 100%.

A M. costuma acordar para mamar todos os dias às 6.00h da manhã, independentemente da hora a que comeu antes de ir para a cama.

 

Com base nisto, conclui que esta seria a simpática hora a que eu me passaria a levantar, porque entre maminha, arroto, fralda e mimos, seriam 7.00h e não me ia deitar por meia hora (que, aliás, seria passada a tentar adormecer e não a dormir efectivamente).

 

Mesmo assim, pus o despertador para as 7.00h, não fosse a rapariga ter alguma avaria no sistema.

 

E a verdade é que acordei com o despertador, arranjei-me e tive praticamente que acordar a M.. Eu acho que ela estava a fazer de propósito, para me atrasar, mas isto sou eu.

 

Deixei-a na cama, a cuspir a chucha e a palrar, numa clara manobra pensada para atrasar ou, até mesmo quem sabe, impedir a minha saída.

 

Mas eu disse-lhe logo: "Ainda se me desses uma gargalhadas como deste ontem ao pai...!"

 

A meio da manhâ,  o telefonema da praxe para casa: "Comeu? Está bem disposta? E o nariz, continua entupido?"

 

Quando cheguei a casa à hora do almoço, ela dormia e tive, por breves segundos, aquela vontade de fazer barulho para a acordar, como tentam algumas visitas mais inconvenientes.

 

Esperei e de repente: um olho aberto, o outro, um sorriso pequenino e depois os pés a abanar, as costas arqueadas e o riso, sem som, mas de boca escancarada. Já cheguei, filha.


Entro no carro, ligo o rádio e ouço a música dos Killers "Human":

 

"I did my best to notice
when the call came down the line
up to the platform of surrender
I was brought but I was kind
and sometimes I get nervous
when I see an open door

close your eyes, clear your heart

cut the cord
are we human or are we denser
my sign is vital, my hands are cold
and I'm on my knees
looking for the answer
are we human or are we denser

pay my respects to grace and virtue
send my condolences to good
give my regards to soul and romance
they always did the best they could
and so long to devotion,
you taught me everything I know
wave good bye, wish me well
"

 

Fui a casa à hora do almoço e no regresso, entro no carro, ligo o rádio e ouço outra vez a mesma música...

 

É só para avisar que eu não aceito recados cósmicos via rádio: o cordão está bem preso e vai continuar assim por muito mais tempo.

 

Por R, às 14:35  comentar

Sobre a M.
Nascida a 4 de Julho de 2008, com 3,880 kg, 50 cm e as maiores bochechas do mundo.
Sobre o P.
Chegou a 24 de Setembro de 2010, com 3,380 kg, 48 cm e os olhos mais doces do mundo.
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